(via fuckyeahstevenrmcqueen)
(via fuckyeahstevenrmcqueen)
Eu sempre quis deixar uma lembrança, da qual pudesse te fazer sorrir cada vez que visse, que te fizesse recordar os melhores momentos de nossa vida juntos. Roubar um segundo do teu sorriso seria viver dentro de mim a eternidade da tua presença na minha vida, pois do jeito que me marcou e me mudou ninguém mais será capaz. Nossas vidas estão entrelaçadas por um fio de ouro e outro de prata, ambos simbolizando essa união e o reencontro de almas que estavam destinadas a olharem uma para outra mais cedo ou mais tarde. A verdade é que não se pode fugir de ser quem se é, e a descoberta de quem somos realmente é a razão de estarmos aqui. “Conhece-te a ti mesmo”, estava escrito na entrada do templo dos Delfos e, Oscar Wilde comenta brilhantemente sobre isso, completando que “Sê tu mesmo” deve estar escrito na porta do novo mundo. O presente é descobrirmos quem somos e o futuro é sermos quem somos. Eis as duas coisas que regem nossa vida e sem elas não somos absolutamente nada.
Nessa estrada de descobrir a mim mesmo te encontrei e descobri que fazes parte de mim. Em minha alma pulsa essa felicidade e essa agonia constante de me ver e poder não me tocar, isto é, saber que você existe e não estar tão perto o suficiente para poder te apoiar. Minhas limitações beiram o fracasso da minha existência para te servir como gostaria e desejo, meus olhos vez ou outra vertem lágrimas no auge da solidão, questionando de que maneira poderia usufruir de uma existência onde te encontrei e não posso me ter ao seu lado. Como entender algo que por vezes parece tão injusto? Como fazer de tudo que temos algo que valha a pena, e que se não vai ser como gostaríamos, que pelo menos chegue perto para fazer bem o máximo possível? Como conviver com esse amor e essa dor que insistiram em vir juntas? São muitas perguntas da qual a resposta é o presente o futuro, construídos por nós dois, como que manuseando uma jóia de vidro que a qualquer momento pode cair e quebrar.
Sinto-me miserável ao imaginar que nunca poderei trazer o tão sonhado sorriso ao teu rosto num dia calmo de verão, num furioso inverno ou mesmo no fim do mundo. Não serei capaz de te fazer feliz nem no dia mais lindo ou te consolar na pior adversidade; minha vida imediatamente perde o sentido quando faço essa constatação. Que saída tens para mim? Posto-me de joelhos perante o mundo, perante os deuses e perante a você pedindo uma solução para essa problemática que se faz presente em todos os dias da minha vida desde que te encontrei. Já tentei de todas as maneiras solucionar essas questões, mas nunca me pareceu justo ou adequado todas as idéias que surgiram em minha mente, a morte está entre elas, mas a morte não é nada nesse caso além de uma expressão de covardia e um atestado de fracasso em vida. Até quando eu morrer, permanecerei procurando uma solução, sem desistir jamais.
Esta é a grande tragédia de minha alma, da qual exponho aqui sem medo de julgar-me um insolente pela confissão. Sou a vítima e o vilão de minha própria existência, da qual pedi para vir tal como sou agora. Não ouso pedir nada mais que paciência, a qual durará uma vida, até que possa te reencontrar nos braços do infinito tal como sou verdadeiramente em minha essência e da qual nada poderá nos separar, nem o mundo, nem as convenções, nem a natureza, nem a distância miseravelmente imposta como um obstáculo, que por ser a última citada ainda não é menos dolorosa que todas as anteriores. Essa prova é dura de ser vivida e espero passar por ela dignamente, no futuro obter o reconhecimento do sacrifício e ser livre para te amar sem reservas. (…)
Acordei daquele pesadelo em profundo desespero que percorria em ondas eletrizantes através de meu corpo, a fronte molhada de suor, as mãos em punho, e dentes trincados. Não me movia, não estava completamente desperto. A voz ainda gritava na minha cabeça, um grito que eu rapidamente esqueci quem havia proferido. Detalhes que escapavam mais rapidamente a cada esforço de recordar, e de repente era só eu e o medo. Nenhuma referência poderia agora justificá-lo. Minha mente o havia criado e destruído em alguns segundos. As minhas defesas instantaneamente me protegiam de horror que eu não suportaria ao menos lembrar. Era a minha vida, e eu estava sem ela.
Não é fácil viver cada dia na sombra do mundo. Essa sombra não cessa de existir, como nós mesmos. Ainda quando vamos embora desse mundo, permanecemos; não os mesmos, mas semelhantes em erros. Devemos viver nesse mundo com água, morrer sufocado e ser enterrado; em meio a isso voar, ser alvorada. Permaneço na sombra, após anos de tentativa, pois para a sombra não há saída, unicamente transformação.
Dá-me a lua, sol, estrelas, terra e flores. Quando morrer tudo isso ainda existirá e, por onde eu estiver, poderei recordar da suave-terrível sensação de viver. Engasgo ao imaginar que essa estadia durará pouco para que eu possa fazer algo por mim mesmo. Mas ainda penso que um minuto a mais poderia me fazer mais mal que bem, e que o tempo é ousadamente relativo para que eu possa me dar o direito de julgá-lo. Grande pesar me acomete só de imaginar que amanhã poderá ser o dia de ir embora, ou que talvez daqui a 50 anos eu ainda ande por essas mesmas estradas. Não há resolução para minhas preocupações, de um jeito ou de outro essa vida tem algo de sinistro no modo que acontece. Então sim, me dê tudo o que não poderei levar e, no entanto, permanecerá sempre dentro de mim, minha natureza indefinível, minha essência derradeira e fiel.
Esse mundo é que jamais será capaz de me entender, e eu que outrora quis entendê-lo, já me coloco de lado na extensa história que ele descreve. Não sou comum, não sou o resto do mundo e ninguém conseguirá decifrar minha mente. Cada um deve voltar-se para si mesmo e resolver suas próprias teorias infundadas. Enquanto todas essas sortes de coisas acontecem ao meu redor, como sempre, eu me tranco com minhas reminiscências. O deposito delas são as palavras, eis aqui.
Oscar Wilde